Mapa

Há um mapa no seu rosto,
Traçado pelo tempo,
Sulcado por aflições
e também por alegrias.

Veredas que amo
E às quais vivo
Indagando
por onde serei conduzida.

 

Desencontro

Me deste a tua senha
e eu a ignorei. Ou
– por outra –
Não fui capaz de decifrá-la,

Letrada que sou.
(Talvez contivesse números…)

Te dei na íntegra o meu texto,
Nu, claro,
Posto, disposto a ti
e deposto de presunções
ou imagens diurnas
ofuscantes.
Mas não o soubeste ler,
Estrangeiro que és.

 

Corpo e Alma

Quando me acho contigo, não durmo bem,
pois
ficamos
a namorar.

Quando me acho distante, já durmo bem,
tão melhor do que antes podia…
E sei…
é porque
estamos
a namorar.

Mas que grande confusão!,
pois na verdade (ainda),
en-
laçados
e des-
compromissados,
(não) estamos
a namorar!…


Ana C. Smaira é formada em Letras e Direito pela Universidade de São Paulo, coordenadora no Colégio Santa Cruz, psicopedagoga e psicanalista. 

Ilustração de Celeza Ramalho

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